Quando eu tinha 9 anos eu andava por aí (sem noção do ridículo de tal exposição) com uma camiseta com um desenho da Minnie e os escritos: Eu amo estudar. Certamente eu era alvo de muitas risadas - se era mesmo, não lembro, porque não percebia, ou não me importava. Andava com aquela camiseta porque realmente eu adorava estudar. Adorava ir pra escola. Ler, escrever e fazer os temas antes do tempo. Nunca faltava aula, nunca tirava nota baixa. Até hoje nunca encontrei explicação psicológica para tal auto-cobrança, mesmo quando ainda era criança.
Com 14 anos eu decidi fazer magistério - muito por incentivo de uma mãe professora, que sempre dizia que o mundo sempre precisará dessa profissão (o que eu acho uma grande verdade). Decidi que queria poder ensinar pros outros o que eu já tinha aprendido até então (hoje eu vejo que com 14 eu não sabia era nada). Acabou que depois de muito estudar Piaget e Levy eu apenas fui professora de inglês - o que aprendi graças a anos de estudo na Wizard patrocinados por papai e muitos, mas muitos, episódios de Friends.
Pois bem, com 18, eu decidi ir pra área da Comunicação e deixar um pouco em stand by essa ideia de ensinar.
Aos 23, depois de já estar formada em jornalismo e estar empregada na maior empresa (que coincidentemente também é a única) de comunicação do RS, eu decidi largar tudo pra estudar mais. Muitas pessoas criticaram tal decisão, mas eu nunca me arrependi (o salário e o Visa Vale fizeram falta, óbvio). Me mudei pro meio do Kansas, pra fazer um ano a mais de jornalismo. E me apaixonei mais uma vez pela faculdade, com aulas muito desafiadoras e professores com outras vivências - que acrescentaram tudo o que eu já tinha aprendido com os meus professores do Brasil.
Voltei pra casa, e, aos 26, embarquei de novo num avião pro Kansas, depois de ganhar uma bolsa pra começar o mestrado em Comunicação na mesma universidade. Às vezes eu atribuo tal achievement a sorte, mas a real mesmo é que eu era uma baita nerd no ano que estava aqui (porque quando você é estrangeiro você sempre sente que tem que estudar mais que os seus colegas, simplesmente pelo fato de que não é nem a sua língua que estão falando na sala, já começa por aí.) E, nos Estados Unidos, ter boas notas vale muito, abre muitas portas mesmo (finalmente valeu a pena ser nerd).
E hoje, com 27, estou cursando já o segundo de três semestres de mestrado, matriculada em aulas ainda mais desafiadoras e pensando que finalmente todos esses anos estudando realmente tinham propósito. Todas as teorias, pensadores e filósofos que eu não entendia bem aos 20 anos fazem muito mais sentido na minha cabeça agora. Lembro que a primeira vez que eu li Adorno e Horkheimer, aos 19, na UCS, eu não conseguia fazer com que nada daquilo penetrasse na minha mente.
Não vou dizer que alcancei oceanos com esse tempo em sala de aula, porque não, não é nem de longe o caso. Mas hoje, com 27, eu posso dizer que faço parte de uma minoria (uma latina nos Estados Unidos, verdade seja dita) que tem a chance de dar aula pra americanos. Algo que eu nunca tinha nem cogitado. (Faz parte da minha bolsa de estudos dar aula aqui na faculdade - não faço porque gosto, verdade seja dita novamente, ainda tenho master frio na barriga pra falar em público pra muitos alunos).
Em momentos de stress e vontade de desistir procuro manter em mente duas frases que uma professora daqui nos disse em aula: a primeira é que muitos queriam estar nesse lugar, então, não seja um idiota que vai querer jogar tudo isso fora. E a segunda é que "nós sempre temos escolhas". E ela contou que mais de uma vez se imaginou desistindo, botando todas as coisas dela num carro e indo embora. Mas logo voltou a si.
O importante é saber que a gente, realmente, sempre tem como escolher fazer algo ou não. Claro que cada escolha, cada mudança, acarreta em perdas também. É preciso ser realista nesse ponto. E Deus sabe que, com tantas idas e vindas, e em não me decidir se fico no Brasil ou se fico nos EUA, o que eu perdi nesse ano doeu demais.
E também já tive que lidar com muita gente perguntando a velha: "mas quando é que tu vai parar de estudar e começar a ganhar dinheiro?" Uma das melhores coisas de uma das minhas primeiras aulas aqui esse semestre foi ter escutado outros colegas falando que ouvem aqui nos EUA a mesma pergunta de algumas pessoas. Me senti muito compreendida, enfim.
Escrevi tudo isso, mas não quero dizer que você precisa andar por aí com uma camiseta da Minnie dizendo que ama estudar, nem largar um emprego que paga bem pra ir fazer intercâmbio se você não quiser fazer isso. Só escrevi porque realmente (e depois de muitos anos) constatei que enquanto todo o resto é muito passageiro, aquela frase "ninguém pode tirar o que você sabe" ou que "conhecimento nunca é demais", continua sendo sempre verdade.
E um dia, sem sombra de dúvida, vão recompensar. Se é que já não estão recompensando =)
domingo, 24 de agosto de 2014
quinta-feira, 3 de julho de 2014
Brazil’s World Cup: an $11 billion trap
Posted by Collegio on Friday, July 4, 2014 ·
Val Vita
Here in my country, if you were to ask 10 little boys what they want to be when they grow up, it’s very possible that eight of them will tell you the same thing: soccer player. I’m not overreacting when I say that soccer in Brazil is like a religion. People here go crazy because of it – maybe even more than Americans go crazy for football. In Brazil, all the boys want to be Neymar.
This year, as we all know, we are experiencing the delight (or the curse, depending on whom you ask) of hosting the FIFA World Cup. It’s interesting to be here on vacation and have the opportunity to see this particular phenomenon happening. Especially because a year ago the streets were filled with protesters (including me), screaming “Nao vai ter Copa” (which means “There won’t be World Cup”). A large part of the population was unhappy that our developing country is spending billions with soccer stadiums, instead of investing in education, health and infrastructure for our population.
Well, it turns out the World Cup is here. And the people who were protesting at the time are now paying a huge amount of money to go to the stadiums to watch the games. Why? Because everyone here lives and breathes soccer.
Don’t get me wrong. The protests are still occurring, but with very few people compared to last year. Instead, people on the opening game booed the president, Dilma Rousseff, who was kind of already expecting that. That’s why she didn’t speak at the opening ceremony, as expected.
Brazilians were so excited with the start of the event and with all the tourists walking the streets of our capitals that they decided to forget how much money we lost because of the Cup.
Brazil invested $11 billion in infrastructure related to the Cup and a third of this amount was spent on the stadiums. Well, putting money on stadiums is not exactly an investment. One, because all the money raised from the matches goes to FIFA and not to Brazil. Second, because some of these stadiums are never going to be used again.
Here’s an example: $217 million was invested in a single stadium in the city of Manaus, and the place is destined to be used in four World Cup games. Four. There’s no soccer team in Manaus, and famous singers will probably not choose the city as part of a big tour. So, as comedian John Oliver said, Brazil constructed “the world’s most expensive bird toilet.” Sad, but true.
What I’ve been seeing on the streets, though, is pure happiness and excitement. Every time Brazil plays, the country stops. Literally. If the game starts at 5 p.m., businesses allow their employees to leave at 4. The schools do the same. There’s traffic jam to go back home on game days. It’s as if it’s forbidden to do any thing during the games besides watching them.
Brazilians go home earlier, they dress in green and yellow and they cheer. They cheer as if soccer were the most important thing in the world. As they cheer, they forget that we spent $11 billion that we didn’t even have. Go Brazil!
This year, as we all know, we are experiencing the delight (or the curse, depending on whom you ask) of hosting the FIFA World Cup. It’s interesting to be here on vacation and have the opportunity to see this particular phenomenon happening. Especially because a year ago the streets were filled with protesters (including me), screaming “Nao vai ter Copa” (which means “There won’t be World Cup”). A large part of the population was unhappy that our developing country is spending billions with soccer stadiums, instead of investing in education, health and infrastructure for our population.
Well, it turns out the World Cup is here. And the people who were protesting at the time are now paying a huge amount of money to go to the stadiums to watch the games. Why? Because everyone here lives and breathes soccer.
Don’t get me wrong. The protests are still occurring, but with very few people compared to last year. Instead, people on the opening game booed the president, Dilma Rousseff, who was kind of already expecting that. That’s why she didn’t speak at the opening ceremony, as expected.
Brazilians were so excited with the start of the event and with all the tourists walking the streets of our capitals that they decided to forget how much money we lost because of the Cup.
Brazil invested $11 billion in infrastructure related to the Cup and a third of this amount was spent on the stadiums. Well, putting money on stadiums is not exactly an investment. One, because all the money raised from the matches goes to FIFA and not to Brazil. Second, because some of these stadiums are never going to be used again.
Here’s an example: $217 million was invested in a single stadium in the city of Manaus, and the place is destined to be used in four World Cup games. Four. There’s no soccer team in Manaus, and famous singers will probably not choose the city as part of a big tour. So, as comedian John Oliver said, Brazil constructed “the world’s most expensive bird toilet.” Sad, but true.
What I’ve been seeing on the streets, though, is pure happiness and excitement. Every time Brazil plays, the country stops. Literally. If the game starts at 5 p.m., businesses allow their employees to leave at 4. The schools do the same. There’s traffic jam to go back home on game days. It’s as if it’s forbidden to do any thing during the games besides watching them.
Brazilians go home earlier, they dress in green and yellow and they cheer. They cheer as if soccer were the most important thing in the world. As they cheer, they forget that we spent $11 billion that we didn’t even have. Go Brazil!
Opinion column oublished on The Collegio, the PSU newspaper, on July 3.
segunda-feira, 9 de junho de 2014
Malévola, muito mais do que a história da loira que deita e dorme
Quando eu era criança, A Bela Adormecida era meu desenho da Disney favorito. Não sei se era porque ela era loira (e eu com 7 anos e no auge da minha loirice muito me identificava com aquele cabelo), ou se era porque ela caía num sono profundo e lá ficava (e eu sempre achei isso muito romântico... ela evitava a fadiga e dormia, enquanto o príncipe Phillipe literalmente cortava cercas de espinhos e matava dragões pra acordar ela COM UM BEIJO).
Por isso acho que adorei ir ver Malévola. Porque já gostava da história de antes. Mas quem assiste sabe que o filme com a Angelina Jolie mostra um lado BEM mais legal e interessante, que nunca tinha sido cogitado antes (pelo menos não por mim). O filme explica por que, afinal, Malévola acts like a bitch. Afinal, ninguém é mau e vingativo do nada (basta assistir minha série favorita, Revenge, para constatar isso =D)
Malévola era uma fada, e não uma bruxa, e tudo ia bem no reino dela até que ela comete o pequeno descuido de se apaixonar (!), por um humano (!!). Tsc Tsc. O tal do Stefan queria tanto ser rei que acaba, bom, traindo ela. E trai ela de uma forma horrível, cortando as asas que ela tinha (sim, o sentido mais literal de cortar as asas que possa existir). E a Malévola fica puta da vida, porque... óbvio né. Ela não só perde o Stefan (que depois vai ser o pai da Aurora, a.k.a. Bela Adormecida), como também perde a habilidade de voar. Não se preocupem, não estou contando a história toda, isso é só o começo.
Li um texto do Huffington Post que dizia que essa cena, em que ela perde as asas, pode ser comparada a um estupro. Porque ela fica devastada. Mas ela sobrevive a isso. E se recupera, física e psicologicamente. Não sem antes cometer várias maldadezinhas, inclusive amaldiçoando o bebê do Stefan.
E isso é o legal do filme. Segundo a minha amiga Natália, a ideia é mostrar que todo mundo tem um lado bom e um lado ruim, ninguém é só bom e ninguém é só mau. E são os vários acontecimentos da vida que vão fazer que tu desperte mais um lado do que o outro (ou os dois). No caso da Melévola, foi esse.
O mais interessante de tudo, que também era mencionado nesse texto do Huffington Post, é justamente esse fato de ela se recuperar. E que o filme é uma história que mostra uma mulher com poder, que toma as próprias decisões e que lida com seus próprios problemas. Sim, ok, talvez ela não tenha encontrada a forma mais pacífica possível de lidar com a raiva que estava sentindo do ex, mas enfim... (we've all been there, Malévola..)
Malévola é muito mais profundo e interessante do que a história original de A Bela Adormecida. A personagem da Angelina Jolie, pra mim, é retratada como uma protagonista de verdade - e não só como a loira que deita e dorme, e espera tudo acontecer.
Por isso acho que adorei ir ver Malévola. Porque já gostava da história de antes. Mas quem assiste sabe que o filme com a Angelina Jolie mostra um lado BEM mais legal e interessante, que nunca tinha sido cogitado antes (pelo menos não por mim). O filme explica por que, afinal, Malévola acts like a bitch. Afinal, ninguém é mau e vingativo do nada (basta assistir minha série favorita, Revenge, para constatar isso =D)
Malévola era uma fada, e não uma bruxa, e tudo ia bem no reino dela até que ela comete o pequeno descuido de se apaixonar (!), por um humano (!!). Tsc Tsc. O tal do Stefan queria tanto ser rei que acaba, bom, traindo ela. E trai ela de uma forma horrível, cortando as asas que ela tinha (sim, o sentido mais literal de cortar as asas que possa existir). E a Malévola fica puta da vida, porque... óbvio né. Ela não só perde o Stefan (que depois vai ser o pai da Aurora, a.k.a. Bela Adormecida), como também perde a habilidade de voar. Não se preocupem, não estou contando a história toda, isso é só o começo.
Li um texto do Huffington Post que dizia que essa cena, em que ela perde as asas, pode ser comparada a um estupro. Porque ela fica devastada. Mas ela sobrevive a isso. E se recupera, física e psicologicamente. Não sem antes cometer várias maldadezinhas, inclusive amaldiçoando o bebê do Stefan.
E isso é o legal do filme. Segundo a minha amiga Natália, a ideia é mostrar que todo mundo tem um lado bom e um lado ruim, ninguém é só bom e ninguém é só mau. E são os vários acontecimentos da vida que vão fazer que tu desperte mais um lado do que o outro (ou os dois). No caso da Melévola, foi esse.
O mais interessante de tudo, que também era mencionado nesse texto do Huffington Post, é justamente esse fato de ela se recuperar. E que o filme é uma história que mostra uma mulher com poder, que toma as próprias decisões e que lida com seus próprios problemas. Sim, ok, talvez ela não tenha encontrada a forma mais pacífica possível de lidar com a raiva que estava sentindo do ex, mas enfim... (we've all been there, Malévola..)
Malévola é muito mais profundo e interessante do que a história original de A Bela Adormecida. A personagem da Angelina Jolie, pra mim, é retratada como uma protagonista de verdade - e não só como a loira que deita e dorme, e espera tudo acontecer.
terça-feira, 13 de maio de 2014
O manual incrível de inspiração na natureza
Publicada em dezembro na Revista Superinteressante - link original aqui

Janine Benyus, bióloga norte-americana e fundadora do Biomimicry Institute, focado em difundir as técnicas da biomimética, foi a responsável por popularizar esse conceito em 1997. No livro Biomimética: Inovação Inspirada pela Natureza, ela detalhou como a ciência estava estudando as melhores ideias de mares, florestas e desertos para resolver os problemas do século 21. Claro, o homem sempre copiou a natureza - em coisas simples e sofisticadas, como os aviões, que não passam da imitação de pássaros. A novidade de Janine foi propor essa inspiração como um método de trabalho, uma abordagem sistemática para resolver problemas. Desde então, seu telefone tocou bastante. Designers, arquitetos e empresários foram até a bióloga para entender como eles poderiam se inspirar na natureza para criar novos produtos. Mas eles não queriam apenas a sua consultoria, e sim (e essa foi a parte que a deixou mais feliz) ser levados para o mato, para o deserto, para o fundo do mar.
Saindo dos escritórios, das fábricas e das salas de reunião, eles entraram em contato direto com a natureza para tirar dela não a matéria-prima, mas ideias - respostas a suas perguntas. Desde então, o site Ask Nature, uma espécie de catálogo online mantido pelo instituto de Janine, já catalogou cerca de 2 mil projetos biomiméticos. "Quando escrevi o livro, estava falando com cientistas, que estavam estudando, e não comercializando isso. Depois, as companhias começaram a me ligar, pedindo biólogos para seus departamentos de desenvolvimento", diz Janine. Como o serviço não existia, ela criou o Biomimicry 3.8 (o inglês para biomimetismo, seguido do número que representa 3,8 bilhões de anos de evolução), um programa que treina profissionais de diversas áreas para desenvolver projetos inspirados na natureza. "A biomimética agora está sendo ensinada nas universidades", diz.
Ao olhar para a natureza não como um ambiente selvagem, mas como o resultado de um sofisticado sistema evolutivo que produziu soluções eficientes e baratas (em alguns casos, muito à frente da nossa tecnologia), alguns empresários passaram a tirar o chapéu para o planeta. Em um dos projetos mais ambiciosos, por exemplo, a libélula foi o ponto de partida de barcos cujo teto solar tem a forma de asas que conseguem aproveitar as duas energias mais comuns da Terra: a do sol e a do vento. O sistema da empresa australiana SolarSailor utiliza painéis no topo da embarcação que conseguem capturar, com a ajuda de um software, o recurso natural que estiver mais abundante no momento. O mecanismo se inspirou nas asas largas e flexíveis da libélula, que capturam a radiação solar, aquecem seus músculos e preparam o inseto para o voo. Além disso, a libélula aproveita o movimento duplo de suas asas para manipular o ar ao redor delas e atingir melhor mobilidade e precisão no seu voo. O fabricante garante economia de combustível de até 50%, dependendo da aplicação, e o projeto rendeu à empresa o prêmio Energy Globe Award de 2013, um conhecido prêmio de meio ambiente. No outro ano, chegará ao mercado a primeira garrafa de água que se enche sozinha. Inspirados pelo besouro-da-namíbia, os pesquisadores da empresa NBD Nano anunciaram que vêm produzindo protótipos de um recipiente que consegue extrair água do ar e armazenar mais de 3 litros do líquido por hora. A garrafa copia o princípio do inseto que habita uma das regiões mais áridas do planeta. Todos os dias, ele sobe as dunas do deserto africano, às margens do Atlântico, e deixa a brisa bater na sua carapaça, aproveitando-se de um complexo processo que permite a condensação da água no seu corpo. A garrafa também combina um material que atrai e outro que repele a água. Enquanto o primeiro faz a coleta, o segundo é responsável por direcionar as gotas para um reservatório. O mesmo besouro também inspira as malhas coletoras de água de uma organização canadense sem fins lucrativos, a FogQuest, que você vê abaixo.

As duas experiências têm inúmeras aplicações, mas os empreendedores citam os benecífios para habitantes de vilas pobres, que poderão obter água potável perto de sua casa, em vez de caminhar longas distâncias carregando baldes sobre a cabeça. Não é à toa que o arquiteto Michael Pawlyn, outro entusiasta da biomimética, compara a natureza a um catálogo de produtos. "Estamos tão fascinados com a nossa própria tecnologia que esquecemos que, fora disso, existe um mundo que está se desenvolvendo há bilhões de anos", resumiu o engenheiro Jamie Miller, outro fã, em palestra do TED. Para Janine, foi incrível testemunhar como o seu conceito saiu dos laboratórios e parou nas pequenas empresas e nas corporações - e hoje, já está dentro das casas, espalhado pelo mundo. "O número de produtos inspirados na natureza dobra a cada ano", diz a bióloga.
Uniformes camaleões

Quando serviu como militar no Afeganistão, o bioengenheiro norte-americano Kit Parker percebeu que os uniformes camuflados tornavam os soldados alvos fáceis para os inimigos. Segundo Parker, não há nada de discreto no uniforme camuflado e alguns soldados estão sendo mortos justamente porque podem ser vistos de longe. De volta aos laboratórios de Harvard, ele está se dedicando a criar uniformes que se adaptam automaticamente ao ambiente. Afinal, se camaleões e lulas podem se camuflar conforme a situação, por que o Exército norte-americano, dos drones e dos óculos de visão noturna, não pode recriar a tecnologia da natureza? Atualmente, os soldados recebem dois uniformes, um verde e outro marrom-claro, para combiná-los de acordo com o ambiente. O problema é que, frequentemente, as missões acontecem em mais de um cenário e não há vestiário no campo de batalha para trocar de roupa. Para criar o uniforme camaleão, Parker está, na verdade, buscando mais inspiração nas lulas do que nos lagartos que mudam de cor. Os moluscos também são considerados mestres na camuflagem. Eles têm reservatórios de pigmentos nas camadas da pele, que são expelidos e fazem com que mudem de cor. O pesquisador trabalha na análise de como as proteínas da pele das lulas permite essa troca de cor. Parker quer aplicar pigmentos semelhantes em fibras têxteis e criar um tecido que dará aos soldados o poder de se camuflar de verdade. A expectativa é que a tecnologia esteja pronta em cinco anos.
As asas da Morpho, conhecida no Brasil como borboleta-seda-azul, estão sempre limpas sem que ela gaste tempo ou energia na faxina. A combinação da superfície das suas asas com propriedades das moléculas de água impede a aderência da sujeira e torna a lavagem pela chuva mais rápida. Inspirada pela borboleta, uma empresa europeia, a Sto, decidiu fazer uma tinta que copia o princípio autolimpante do inseto voador, uma propriedade também presente na flor de lótus, cujas pétalas estão sempre limpas, mesmo no meio de um pântano. O produto foi lançado na linha de tintas Lotusan - o sonho de qualquer dona de casa. Ao observar como as asas da borboleta e das pétalas da flor dispunham do mecanismo autolimpante, os pesquisadores da Sto desenvolveram um sistema com materiais (eles não revelam de que tipo) que recobrem a tinta, impedindo que a água e a sujeira grudem na superfície. Essa camada protetora evita especialmente que fungos e algas se desenvolvam na parede. Depois da tinta ser aplicada, toda a água que for derramada sobre ela sairá rolando, levando junto a sujeira da supefície. O resultado será uma parede permanentemente limpa e seca. Adaptável para concreto, alvenaria e gesso, a tinta já está sendo usada em "edifícios autolimpantes". Um galão de 15 litros custa a partir de £ 159 (cerca de R$ 594), 40% a mais do que a linha convencional da empresa. A Sto diz que uma fachada pintada com o seu produto requer uma manutenção menor, mas adverte que o efeito não é vitalício: em algum momento, será necessário pintá-la de novo.
Concreto feito com ar
Para cada nova tonelada de cimento produzida, uma tonelada de CO² é emitida na queima de combustíveis fósseis - e o gás carbônico é aquele que causa, entre outros problemas, o aquecimento global. Brent Constantz, fundador da Calera, uma empresa californiana, observou a natureza e descobriu que esse mesmo gás se dissolve nos oceanos e forma outra molécula, a CO³, ou carbonato. Juntando isso com o cálcio da água do mar, nasce o carbonato de cálcio, que é sólido. É assim que se formam os corais. A empresa percebeu que, em vez de emitir CO² para produzir cimento, poderia capturá-lo e imitar o processo realizado nos oceanos, usando o gás como matéria-prima. Hoje, cada tonelada de cimento produzida pela Calera utiliza meia tonelada de CO² capturado da atmosfera. A fábrica transforma o CO² em mineral por meio da precipitação aquosa, um proceso que imita o que acontece no fundo do mar, para transformá-lo em carbonato de cálcio sólido, um material com a consistência de um fino pó branco, que pode ser usado como base para a fabricação de vários produtos, especialmente o cimento. Nos Estados Unidos, a empresa já vendeu seu cimento para projetos como a reforma das calçadas de um município e o nivelamento do terreno de um edifício comercial. O carbonato de cálcio, nesses casos, funciona como um produto complementar, substituindo cerca de 15% do cimento comum na mistura para a preparação do concreto. O cimento feito da Calera também foi usado na fabricação de vasos de plantas e bancos decorativos.
No pântano, no meio do mato, no fundo do mar, dentro de uma colmeia, não importa. Unidos, empresários e cientistas estão buscando na experiência de 3,8 bilhões de anos da natureza ideias para desenvolver produtos supermodernos.
por Melissa Schröder e Valquíria Vita
Usada para descrever soluções copiadas do meio ambiente, a biomimética era, até alguns anos atrás, uma expressão restrita aos laboratórios. Agora, a ciência das invenções inspiradas na natureza está deixando de ser apenas um jargão científico para chegar ao mercado, tornando palpável a sabedoria do planeta na oferta de respostas às mais variadas situações do cotidiano, desde uma tinta que repele sujeira até o uniforme que vai camuflar automaticamente os soldados americanos no futuro (veja abaixo).
Janine Benyus, bióloga norte-americana e fundadora do Biomimicry Institute, focado em difundir as técnicas da biomimética, foi a responsável por popularizar esse conceito em 1997. No livro Biomimética: Inovação Inspirada pela Natureza, ela detalhou como a ciência estava estudando as melhores ideias de mares, florestas e desertos para resolver os problemas do século 21. Claro, o homem sempre copiou a natureza - em coisas simples e sofisticadas, como os aviões, que não passam da imitação de pássaros. A novidade de Janine foi propor essa inspiração como um método de trabalho, uma abordagem sistemática para resolver problemas. Desde então, seu telefone tocou bastante. Designers, arquitetos e empresários foram até a bióloga para entender como eles poderiam se inspirar na natureza para criar novos produtos. Mas eles não queriam apenas a sua consultoria, e sim (e essa foi a parte que a deixou mais feliz) ser levados para o mato, para o deserto, para o fundo do mar.
Saindo dos escritórios, das fábricas e das salas de reunião, eles entraram em contato direto com a natureza para tirar dela não a matéria-prima, mas ideias - respostas a suas perguntas. Desde então, o site Ask Nature, uma espécie de catálogo online mantido pelo instituto de Janine, já catalogou cerca de 2 mil projetos biomiméticos. "Quando escrevi o livro, estava falando com cientistas, que estavam estudando, e não comercializando isso. Depois, as companhias começaram a me ligar, pedindo biólogos para seus departamentos de desenvolvimento", diz Janine. Como o serviço não existia, ela criou o Biomimicry 3.8 (o inglês para biomimetismo, seguido do número que representa 3,8 bilhões de anos de evolução), um programa que treina profissionais de diversas áreas para desenvolver projetos inspirados na natureza. "A biomimética agora está sendo ensinada nas universidades", diz.
Ao olhar para a natureza não como um ambiente selvagem, mas como o resultado de um sofisticado sistema evolutivo que produziu soluções eficientes e baratas (em alguns casos, muito à frente da nossa tecnologia), alguns empresários passaram a tirar o chapéu para o planeta. Em um dos projetos mais ambiciosos, por exemplo, a libélula foi o ponto de partida de barcos cujo teto solar tem a forma de asas que conseguem aproveitar as duas energias mais comuns da Terra: a do sol e a do vento. O sistema da empresa australiana SolarSailor utiliza painéis no topo da embarcação que conseguem capturar, com a ajuda de um software, o recurso natural que estiver mais abundante no momento. O mecanismo se inspirou nas asas largas e flexíveis da libélula, que capturam a radiação solar, aquecem seus músculos e preparam o inseto para o voo. Além disso, a libélula aproveita o movimento duplo de suas asas para manipular o ar ao redor delas e atingir melhor mobilidade e precisão no seu voo. O fabricante garante economia de combustível de até 50%, dependendo da aplicação, e o projeto rendeu à empresa o prêmio Energy Globe Award de 2013, um conhecido prêmio de meio ambiente. No outro ano, chegará ao mercado a primeira garrafa de água que se enche sozinha. Inspirados pelo besouro-da-namíbia, os pesquisadores da empresa NBD Nano anunciaram que vêm produzindo protótipos de um recipiente que consegue extrair água do ar e armazenar mais de 3 litros do líquido por hora. A garrafa copia o princípio do inseto que habita uma das regiões mais áridas do planeta. Todos os dias, ele sobe as dunas do deserto africano, às margens do Atlântico, e deixa a brisa bater na sua carapaça, aproveitando-se de um complexo processo que permite a condensação da água no seu corpo. A garrafa também combina um material que atrai e outro que repele a água. Enquanto o primeiro faz a coleta, o segundo é responsável por direcionar as gotas para um reservatório. O mesmo besouro também inspira as malhas coletoras de água de uma organização canadense sem fins lucrativos, a FogQuest, que você vê abaixo.
As duas experiências têm inúmeras aplicações, mas os empreendedores citam os benecífios para habitantes de vilas pobres, que poderão obter água potável perto de sua casa, em vez de caminhar longas distâncias carregando baldes sobre a cabeça. Não é à toa que o arquiteto Michael Pawlyn, outro entusiasta da biomimética, compara a natureza a um catálogo de produtos. "Estamos tão fascinados com a nossa própria tecnologia que esquecemos que, fora disso, existe um mundo que está se desenvolvendo há bilhões de anos", resumiu o engenheiro Jamie Miller, outro fã, em palestra do TED. Para Janine, foi incrível testemunhar como o seu conceito saiu dos laboratórios e parou nas pequenas empresas e nas corporações - e hoje, já está dentro das casas, espalhado pelo mundo. "O número de produtos inspirados na natureza dobra a cada ano", diz a bióloga.
Uniformes camaleões
Quando serviu como militar no Afeganistão, o bioengenheiro norte-americano Kit Parker percebeu que os uniformes camuflados tornavam os soldados alvos fáceis para os inimigos. Segundo Parker, não há nada de discreto no uniforme camuflado e alguns soldados estão sendo mortos justamente porque podem ser vistos de longe. De volta aos laboratórios de Harvard, ele está se dedicando a criar uniformes que se adaptam automaticamente ao ambiente. Afinal, se camaleões e lulas podem se camuflar conforme a situação, por que o Exército norte-americano, dos drones e dos óculos de visão noturna, não pode recriar a tecnologia da natureza? Atualmente, os soldados recebem dois uniformes, um verde e outro marrom-claro, para combiná-los de acordo com o ambiente. O problema é que, frequentemente, as missões acontecem em mais de um cenário e não há vestiário no campo de batalha para trocar de roupa. Para criar o uniforme camaleão, Parker está, na verdade, buscando mais inspiração nas lulas do que nos lagartos que mudam de cor. Os moluscos também são considerados mestres na camuflagem. Eles têm reservatórios de pigmentos nas camadas da pele, que são expelidos e fazem com que mudem de cor. O pesquisador trabalha na análise de como as proteínas da pele das lulas permite essa troca de cor. Parker quer aplicar pigmentos semelhantes em fibras têxteis e criar um tecido que dará aos soldados o poder de se camuflar de verdade. A expectativa é que a tecnologia esteja pronta em cinco anos.
Tinta autolimpante
As asas da Morpho, conhecida no Brasil como borboleta-seda-azul, estão sempre limpas sem que ela gaste tempo ou energia na faxina. A combinação da superfície das suas asas com propriedades das moléculas de água impede a aderência da sujeira e torna a lavagem pela chuva mais rápida. Inspirada pela borboleta, uma empresa europeia, a Sto, decidiu fazer uma tinta que copia o princípio autolimpante do inseto voador, uma propriedade também presente na flor de lótus, cujas pétalas estão sempre limpas, mesmo no meio de um pântano. O produto foi lançado na linha de tintas Lotusan - o sonho de qualquer dona de casa. Ao observar como as asas da borboleta e das pétalas da flor dispunham do mecanismo autolimpante, os pesquisadores da Sto desenvolveram um sistema com materiais (eles não revelam de que tipo) que recobrem a tinta, impedindo que a água e a sujeira grudem na superfície. Essa camada protetora evita especialmente que fungos e algas se desenvolvam na parede. Depois da tinta ser aplicada, toda a água que for derramada sobre ela sairá rolando, levando junto a sujeira da supefície. O resultado será uma parede permanentemente limpa e seca. Adaptável para concreto, alvenaria e gesso, a tinta já está sendo usada em "edifícios autolimpantes". Um galão de 15 litros custa a partir de £ 159 (cerca de R$ 594), 40% a mais do que a linha convencional da empresa. A Sto diz que uma fachada pintada com o seu produto requer uma manutenção menor, mas adverte que o efeito não é vitalício: em algum momento, será necessário pintá-la de novo.
Concreto feito com ar
Para cada nova tonelada de cimento produzida, uma tonelada de CO² é emitida na queima de combustíveis fósseis - e o gás carbônico é aquele que causa, entre outros problemas, o aquecimento global. Brent Constantz, fundador da Calera, uma empresa californiana, observou a natureza e descobriu que esse mesmo gás se dissolve nos oceanos e forma outra molécula, a CO³, ou carbonato. Juntando isso com o cálcio da água do mar, nasce o carbonato de cálcio, que é sólido. É assim que se formam os corais. A empresa percebeu que, em vez de emitir CO² para produzir cimento, poderia capturá-lo e imitar o processo realizado nos oceanos, usando o gás como matéria-prima. Hoje, cada tonelada de cimento produzida pela Calera utiliza meia tonelada de CO² capturado da atmosfera. A fábrica transforma o CO² em mineral por meio da precipitação aquosa, um proceso que imita o que acontece no fundo do mar, para transformá-lo em carbonato de cálcio sólido, um material com a consistência de um fino pó branco, que pode ser usado como base para a fabricação de vários produtos, especialmente o cimento. Nos Estados Unidos, a empresa já vendeu seu cimento para projetos como a reforma das calçadas de um município e o nivelamento do terreno de um edifício comercial. O carbonato de cálcio, nesses casos, funciona como um produto complementar, substituindo cerca de 15% do cimento comum na mistura para a preparação do concreto. O cimento feito da Calera também foi usado na fabricação de vasos de plantas e bancos decorativos.
sábado, 3 de maio de 2014
Debate of Valentine’s Day
Posted by Collegio on Saturday, February 15, 2014
Val-entine’s Day
Val Vita
Many know the scene from the movie “I Hate Valentine’s Day,” where, with a bat in her hands and lots of anger in her heart, Jennifer Garner violently destroys a piñata.
Before I came to the United States, I used to think Valentine’s Day was a beautiful holiday enjoyed by all Americans, and that parties with the “I Hate Valentine’s Day” theme were only a movie thing.
Here I am, for the second year, spending the most beautiful holiday of the year – at least in this humble foreigner’s opinion – surrounded by people who just cannot stand it.
Every time I say out loud that Valentine’s Day is coming, someone who hates the holiday comes along to kill my excitement.
No, I’m not here to convince you to love Valentine’s Day. I am here to show you that life can be prettier if you just accept it as a good day, and not a day for cursing or crying, though some of my friends are probably going to spend this Friday night getting drunk and watching “Endless Love.”
Here’s the thing. I am Brazilian. And back home, we don’t have Valentine’s Day.
Our holiday, which happens in June, is a date exclusively for young couples, so if you’re single or married, you’re left out of the celebrations. I can understand why people say they don’t like that.
There’s no reason for such feelings here in the United States, where everyone’s included, though I can understand why some girls who are single can get depressed, especially those who have had bad love experiences in the past.
I believe from the bottom of my heart, having suffered a very rough personal experience myself, that it doesn’t matter what you’ve suffered. Everything will pass.
One day, someone will just hug you so tight and all the broken pieces inside you will be put together again. It took me a while, but I found this person. With a little bit of patience, everyone can.
Americans don’t hug very often, or kiss in public, or even hold hands. We do this a lot in Brazil, and I miss it. My mom makes everyone in the family give at least three hugs a day, and she’s right.
Valentine’s Day is just the best day for hugs. This Friday, hug all the people you like. Forget if you are in a relationship or if you are single; this is not Brazil. Use this day to tell your family, your friends or whomever else you care about how much they mean to you.
Life is about choices. At least this day, choose love. You won’t regret it.
Before I came to the United States, I used to think Valentine’s Day was a beautiful holiday enjoyed by all Americans, and that parties with the “I Hate Valentine’s Day” theme were only a movie thing.
Here I am, for the second year, spending the most beautiful holiday of the year – at least in this humble foreigner’s opinion – surrounded by people who just cannot stand it.
Every time I say out loud that Valentine’s Day is coming, someone who hates the holiday comes along to kill my excitement.
No, I’m not here to convince you to love Valentine’s Day. I am here to show you that life can be prettier if you just accept it as a good day, and not a day for cursing or crying, though some of my friends are probably going to spend this Friday night getting drunk and watching “Endless Love.”
Here’s the thing. I am Brazilian. And back home, we don’t have Valentine’s Day.
Our holiday, which happens in June, is a date exclusively for young couples, so if you’re single or married, you’re left out of the celebrations. I can understand why people say they don’t like that.
There’s no reason for such feelings here in the United States, where everyone’s included, though I can understand why some girls who are single can get depressed, especially those who have had bad love experiences in the past.
I believe from the bottom of my heart, having suffered a very rough personal experience myself, that it doesn’t matter what you’ve suffered. Everything will pass.
One day, someone will just hug you so tight and all the broken pieces inside you will be put together again. It took me a while, but I found this person. With a little bit of patience, everyone can.
Americans don’t hug very often, or kiss in public, or even hold hands. We do this a lot in Brazil, and I miss it. My mom makes everyone in the family give at least three hugs a day, and she’s right.
Valentine’s Day is just the best day for hugs. This Friday, hug all the people you like. Forget if you are in a relationship or if you are single; this is not Brazil. Use this day to tell your family, your friends or whomever else you care about how much they mean to you.
Life is about choices. At least this day, choose love. You won’t regret it.
*article originally published on The Collegio, the PSU newspaper, on February 2014.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
‘It hit and left’
Posted by Collegio on Friday, May 2, 2014
30 seconds were enough to ruin 100 homes in Baxter Springs
| Val Vita reporter |
“Do you live here?”
“Not anymore,” said Stan Wyczynski, looking at his destroyed house after the tornado hit Baxter Springs on Sunday, April 27.
When the sirens sounded at 5:45 p.m., he and his sister didn’t even have time to get in the basement.
When the sirens sounded at 5:45 p.m., he and his sister didn’t even have time to get in the basement.
“I just put my sister in the closet and got in there, too,” said Wyczynski. “All the windows blew away, as well as the entire roof. We felt the wind coming down inside the house. It only lasted 10 seconds. It hit and left.”
When the EF-2 tornado that raged for 30 seconds lifted, a scene of devastation was left in Baxter Springs, pop. 4,200, located 20 minutes from Pittsburg.
Twenty-five people were injured. More than 100 houses and 12 businesses were damaged. One person, Phyllis Overman Clark, 58, died about 20 minutes after the tornado struck her home.
Officials have not confirmed that the death was tornado related, but Barbara Circle, senior administrative assistant for the Student Government Association, who is a relative of Clark, says that she believes Clark was killed by the tornado.
Baxter Springs resident John L. Brown, 68, died in the same storm in Quapaw, Okla., earlier that day.
Brandon Schnieders didn’t get hurt, but lost his family’ home, which is now marked with a big “OK” on the walls – an indication made on several houses after authorities checked for survivors.
“We heard the sirens, and my brother and I got into the car to go to a shelter, but we had to stop because the tornado crossed and blocked the road,” said Schnieders, while showing a picture of that moment on his phone.
Along with family and volunteers, Schnieders spent all of Monday gathering the things left in the house. The work was being made very carefully, because some parts of the house were still falling.
“This is the living room,” Schnieders said, pointing at a room with no furniture, no walls and no roof anymore.
“This ‘was’ the living room,” corrects his aunt, Connie Carter, who was wearing a mask because of the dust caused by the destruction.
‘A lot of memories went down’
A baby’s car seat was among the dust of the backyard of Heather Ewen. She said she went to the basement with the rest of the family. Among them, three kids under 6 years old, when the tornado came.
“It hit less than two minutes after the sirens,” said Ewen. “We just heard a lot of glass breaking. When we came out, it was just dark.”
Ewen and her family had rented the house from Art Roberts, who was helping that Monday. Roberts said he lived in the house for 15 years, but his family has owned it since the 1940s.
“A lot of memories went down yesterday,” Roberts said.
On the other side of the street, D. Baptista’s 1920s home is the only one around that wasn’t damaged by the tornado.
“It went around us,” she said. “We were in Eureka Springs on vacation, and we came back thinking that the house was going to be destroyed like the others. But I guess we are really fortunate.”
Her next-door neighbor, Jack Speer, came back from a camping trip at Big Lake, and discovered his house was gone. But he says he is thankful; if it weren’t for the trip, he might not be alive.
“We were supposed to come back on Sunday,” Speer said. “On the last minute we decided to stay one more day. We came back Monday morning and the house was completely destroyed.”
“It hit less than two minutes after the sirens,” said Ewen. “We just heard a lot of glass breaking. When we came out, it was just dark.”
Ewen and her family had rented the house from Art Roberts, who was helping that Monday. Roberts said he lived in the house for 15 years, but his family has owned it since the 1940s.
“A lot of memories went down yesterday,” Roberts said.
On the other side of the street, D. Baptista’s 1920s home is the only one around that wasn’t damaged by the tornado.
“It went around us,” she said. “We were in Eureka Springs on vacation, and we came back thinking that the house was going to be destroyed like the others. But I guess we are really fortunate.”
Her next-door neighbor, Jack Speer, came back from a camping trip at Big Lake, and discovered his house was gone. But he says he is thankful; if it weren’t for the trip, he might not be alive.
“We were supposed to come back on Sunday,” Speer said. “On the last minute we decided to stay one more day. We came back Monday morning and the house was completely destroyed.”
‘We are Baxter Strong’
Baxter Springs is home to many families of Pitt State students who were affected by the tornado.
Latisha Turner, junior in creative writing, had to leave school for a few days to stay with her mom and sister, who were at the hospital in Miami, Okla., after both were injured.
“My sister is bruised and has a concussion, my mom had to go through surgery because of her shattered elbow and broken arm,” said Turner, junior in creative writing.
Amanda Kempton, junior in communication, says she and her mom were in the car halfway to the shelter when they saw the tornado coming.
“I sped all the way to the shelter and when we got there, it was about a block away,” she said. “I’ve never been so terrified in my life. I saw the tornado forming out of the sky. We thought it was coming right for us.”
Kasidi Webster, senior in elementary education, says she drove to Baxter Springs to help her family on the next day, and what she saw there was “an entire disaster.”
“News crews were everywhere, roofs off houses, and even houses lifted off the foundation and put in the middle of the road by the tornado,” Webster said. “Now the whole community is coming together. We are Baxter Strong.”
The destruction hit close to home for President Steve Scott, who grew up not far from the tornado’s path in Baxter Springs.
“It’s tough to see this happen to my hometown,” said Scott, in a press release. “I walked through those neighborhoods every day on the way to grade school. My heart goes out to everyone affected by Sunday’s storms.”
Latisha Turner, junior in creative writing, had to leave school for a few days to stay with her mom and sister, who were at the hospital in Miami, Okla., after both were injured.
“My sister is bruised and has a concussion, my mom had to go through surgery because of her shattered elbow and broken arm,” said Turner, junior in creative writing.
Amanda Kempton, junior in communication, says she and her mom were in the car halfway to the shelter when they saw the tornado coming.
“I sped all the way to the shelter and when we got there, it was about a block away,” she said. “I’ve never been so terrified in my life. I saw the tornado forming out of the sky. We thought it was coming right for us.”
Kasidi Webster, senior in elementary education, says she drove to Baxter Springs to help her family on the next day, and what she saw there was “an entire disaster.”
“News crews were everywhere, roofs off houses, and even houses lifted off the foundation and put in the middle of the road by the tornado,” Webster said. “Now the whole community is coming together. We are Baxter Strong.”
The destruction hit close to home for President Steve Scott, who grew up not far from the tornado’s path in Baxter Springs.
“It’s tough to see this happen to my hometown,” said Scott, in a press release. “I walked through those neighborhoods every day on the way to grade school. My heart goes out to everyone affected by Sunday’s storms.”
sexta-feira, 4 de abril de 2014
Love up north
It was in Pitt State that Ethan and Minna started a relationship that moved to Finland
Val Vita
How far would you go for love?
Ethan Silovsky crossed an ocean and moved to a
different continent to be with the girl he loves.
Ethan and Minna Karjalainen are now living in
Finland, but their story started in the Midwest.
He was a student a Pittsburg State, majoring in
international business, and she was a Finnish exchange student who got here in
August 2012 to spend one semester studying management. It was only two weeks
before Minna left Pittsburg that they realized they were more than friends.
She left for Portugal to study for one more
semester before going home, and the couple kept in touch. Despite the distance,
they talked with each other more and more.
“It wasn’t before May 2013 that I actually
started thinking that I really was in a long-distance relationship,” said Minna
through Facebook. “My roommates in Portugal had realized it before me, though.”
Minna said everything went unbelievably
smoothly. It was obviously hard to keep the relationship being so far away, but
she says despite the challenge, they never considered ending it.
In the summer of 2013, Ethan traveled to Europe.
The couple stayed together for a month, visiting Portugal, Italy and Croatia.
That was when they realized they were truly in love.
“Every day I was finding out how much we were
more and more alike and how much we worked almost perfectly together,” said
Ethan. “I had never trusted anyone as much as I did her, and I told myself that
must mean something.”
For Minna, it was their shared interests – their
mutual love for the Harry Potter books, for example – and Ethan’s “goofiness” that
made her fall in love with him.
“And no one has ever treated me as well as he
does,” she said.
A semester after their Europe trip, Ethan, who
considers himself a “very spontaneous guy,” made a decision that changed their
lives. In January 2014, after he graduated from Pitt, he packed his bags and
moved to Finland.
“No one really believed me until I actually
left, then they were like, ‘Oh, he wasn’t lying,’” Ethan said.
It helped that Finland offers free education so
Ethan could pursue his master’s degree instead of spending thousands of dollars
in the United States.
“His decision made me so happy,” Minna said. “I
personally know how big a thing it is to move abroad, to leave all your friends
and family behind. So it made me realize that this guy must really like me,
since he decided to move to Finland, of all places.”
Minna is working on her master’s thesis and he
is looking for a job so he can become a permanent resident and enter into a master’s
program. Meanwhile, he is learning the Finnish language and culture.
“After Ethan’s master’s program, who knows where
we will live? We’ll see,” Minna said.
“From then, who knows? Life is an adventure,”
Ethan agreed.
This article will run on Kanza, the Pitsburg State University yearbook of 2013/2014 academic year.
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